Enquanto a agricultura moderna avança com maquinário de alta tecnologia, no Assentamento P.A. Coqueiral Kebó o tempo parece ter parado. Aqui, produtores rurais cultivam arroz no sistema convencional, mantendo técnicas e rituais passados de geração em geração, exatamente como era feito há mais de 60 anos.
A característica mais marcante desse trabalho é a colheita feita no “cutelo”, uma prática manual que hoje é considerada rara, mas que continua sendo parte do dia a dia dessas famílias. Em uma área de 2,4 hectares, a parceria entre os agricultores Adilson Guerra e o conhecido “Esquerdinha” mostra como a tradição pode ser sinônimo de produtividade e dedicação.
Colheita com técnica antiga e muito trabalho


Todo o processo segue o método artesanal: os pés de arroz são cortados um a um com o cutelo, depois empilhados e, na sequência, levados para a trilhadeira, uma máquina antiga, mas que cumpre sua função com eficiência, separando o grão da palha. A expectativa é colher cerca de cem sacas de arroz nessa safra.
Para Esquerdinha, o trabalho exige esforço físico, mas a recompensa compensa:

Está sendo trabalhoso, mas valeu o esforço e estou muito satisfeito com o resultado da parceria e com a produção. Agora vamos ter arroz garantido para o consumo da família e ainda vamos vender o que sobrar, comemora.
O “Velho do Trator”, 77 anos de experiência e disposição

Quem faz parte dessa história há décadas é Adilson Guerra, de 77 anos, carinhosamente chamado por todos de “Velho do Trator”. Ele é dono de um trator Massey Ferguson 50, uma verdadeira relíquia, usado tanto para prestar serviços a outros produtores quanto para trabalhar nas lavouras onde cultiva em parceria.
Com a sabedoria de quem passou a vida inteira cuidando da terra, Seu Adilson resume o segredo do sucesso:
O segredo para tudo dar certo na vida é fazer o que a gente gosta, e com disposição, e disposição nunca me faltou!
Cultura que se mantém viva

Mais do que uma forma de plantar e colher, esse cultivo representa a preservação da cultura local e do conhecimento acumulado ao longo de décadas. O sistema convencional, que não depende de grandes tecnologias, resiste e prova que o trabalho manual, quando feito com amor e compromisso, gera alimentos de qualidade e sustenta a vida no campo.
No Assentamento P.A. Coqueiral Kebó, o arroz não é só um produto agrícola: é memória, é herança e é prova de que a ligação entre o homem e a terra continua forte, mesmo diante de tantas mudanças.
Reportagem: Portal de Notícias Folha de Nobres com apoio técnico de Adeilso Freire
















