No ritmo da terra e com o calor da roça, o tempo parece correr de forma diferente no Assentamento P. A Coqueiral Kebó. Longe da pressa do mundo moderno, a produção de arroz segue mantendo viva a essência da pequena agricultura, onde trabalho, parceria e tradição são as bases de cada safra. E nessa história, um nome se destaca como marca de resistência: Adilson Guerra, aos 77 anos, uma verdadeira lenda viva da região.
Com simplicidade e dedicação, Seu Adilson toca a lavoura com o que tem de mais fiel: seu tratorzinho Massey Ferguson 50, de outras décadas, e uma trilhadeira antiga que ainda cumpre seu papel com bravura. Nesta safra, ele uniu forças ao parceiro Esquerdinha e sua família para cultivar uma área de 2 hectares, onde o arroz foi plantado no sistema convencional, com todo cuidado no preparo do solo feito com seus próprios equipamentos.
A rotina da colheita carrega o sabor do passado: os pés de arroz foram cortados à mão, com o tradicional cutelo, empilhados com carinho e levados para a trilhadeira, máquina que resiste ao tempo e continua sendo peça-chave no dia a dia da comunidade. O esforço foi recompensador: a produção total chegou a 120 sacas de arroz, rendimento considerado muito satisfatório para o porte da lavoura e método de trabalho adotado.
Mais do que uma atividade econômica, o cultivo no Assentamento P. A Coqueiral é uma lição de sobrevivência cultural. A presença de homens como Adilson Guerra mostra que a agricultura familiar não resiste apenas por necessidade, mas por amor à terra e pelo valor de manter vivas as técnicas que vieram de gerações. Mesmo com equipamentos antigos, a força de vontade e a parceria entre vizinhos fazem a diferença e provam que, na roça, o principal investimento é o trabalho honesto.
Essa realidade em Nobres revela como pequenas propriedades continuam a ser essenciais para o município, produzindo alimento e mantendo acesa a chama da tradição que faz da zona rural um lugar de história e vida.
Agricultores manifestam a satisfação com o resultado da colheita










