5º Festival do Milho de Bom Jardim: estagnação, preços abusivos e falta de transparência com dinheiro público

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De 19 a 21 de junho, o distrito de Bom Jardim, em Nobres, recebe mais uma edição do Festival do Milho, desta vez, a 5ª. O evento, que surgiu com a proposta de valorizar a cultura rural, a produção agrícola local e movimentar a economia da região, chega ao seu quinto ano com um saldo negativo: sem novidades na programação, valores incompatíveis com a realidade da população e, o mais grave, sem qualquer prestação de contas sobre os recursos públicos que financiam a sua realização.

O que deveria ser um ponto alto do calendário cultural e econômico do distrito se transformou em uma ação estagnada, que não evolui e repete os mesmos erros de edições anteriores. Quem acompanha o festival desde o início percebe que a estrutura e as atrações são praticamente as mesmas: artistas locais já conhecidos, atividades sem criatividade e nenhuma novidade que atraia o público ou valorize de forma efetiva a cadeia produtiva do milho. Não há concursos, espaços para troca de conhecimento, atrações culturais diversificadas ou ações que envolvam mais profundamente os produtores rurais, que são a razão de ser da festa.

A consequência é clara: a expectativa é que o público desta edição seja bem menor do que o registrado em anos anteriores. A população, que sempre apoiou e compareceu em massa, já demonstra cansaço com a repetição. Muitos moradores e visitantes de municípios vizinhos já afirmam que não irão comparecer, pois sabem exatamente o que vão encontrar — nada de novo, nada que justifique o deslocamento ou o gasto.

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Além da falta de inovação, outro ponto que afasta o público e causa revolta são os preços praticados dentro do evento. Os estandes de comercialização são cobrados de forma abusiva dos comerciantes e pequenos produtores. Para recuperar o valor pago pelo espaço, esses trabalhadores são obrigados a repassar o custo para o consumidor final. O resultado é um absurdo: a pamonha, alimento símbolo da festa e da culinária regional, chega a ser vendida por R$ 20,00, um valor completamente fora da realidade da população local, caracterizado como exploração econômica. O evento, que deveria ser popular e acessível, acaba se tornando um espaço para práticas que beneficiam poucos e prejudicam a maioria.

Mas o problema mais sério envolve a gestão dos recursos. O Festival do Milho é mantido com dinheiro público, ou seja, recursos provenientes dos impostos pagos por todos os cidadãos de Nobres. No entanto, em nenhuma das edições anteriores os organizadores apresentaram prestação de contas à comunidade. Não há informação sobre quanto foi recebido, quanto foi gasto, quais valores foram pagos a fornecedores ou artistas, nem detalhes sobre a aplicação dos recursos. A falta de transparência fere princípios básicos da administração pública, que determina que todo recurso deve ser explicado, fiscalizado e acompanhado pela sociedade.

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A comunidade de Bom Jardim merece um evento que realmente represente sua força, sua cultura e sua produção. O Festival do Milho tem todo o potencial para ser uma referência regional, gerar emprego, renda e orgulho para os moradores. Mas para isso, é indispensável mudar a forma como é organizado: investir em novidades, praticar preços justos, dar condições dignas aos pequenos produtores e, acima de tudo, prestar contas detalhadamente de cada centavo usado do dinheiro público.

Enquanto essas mudanças não saírem do papel, o festival continuará perdendo credibilidade, público e a oportunidade de cumprir o seu verdadeiro papel: ser uma festa do povo e para o povo.

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