Passaram-se exatos 120 dias, mais de quatro meses, desde que o processo licitatório da pavimentação da MT-351 foi concluído. Hoje, o que se vê é apenas poeira, estrada sem asfalto e uma população que se sente enganada. A obra, anunciada com pompa pelo governo como um marco de desenvolvimento para Nobres e região, não saiu do papel. E o que parece burocracia pode ser, na visão dos moradores, uma farsa orquestrada para ganhar votos.
O impasse: jogo de empurra-empurra dentro do governo
O entrave apontado está na SEMA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente), que até hoje não concluiu a análise do estudo espeleológico, documento que mapeia cavernas e formações rochosas da área. Sem essa liberação, a SINFRA não pode dar ordem de serviço.
Mas o que deveria ser um procedimento técnico virou jogo de responsabilidades: a SINFRA diz que aguarda a SEMA, e a SEMA simplesmente não apresenta prazos nem explicações. Dois órgãos do mesmo governo, incapazes de resolver um processo que já deveria ter sido analisado antes mesmo da licitação. Quem está travando, e por quê?
“Foi anunciada só para enganar o povo e levar voto”
A desconfiança explodiu justamente com o início das convenções partidárias e a abertura da temporada eleitoral. Para os moradores, a coincidência não é acaso.
“Já não acreditamos mais em nada. Agora que a campanha começou, ficou claro: essa obra foi anunciada com o único objetivo de enganar o povo e levar voto. É mais uma promessa eleitoreira. Dificilmente vai sair do papel”, desabafou um morador que preferiu não se identificar, com a voz carregada de frustração.
A pergunta que ecoa nas ruas da região é dura: por que licitar uma obra se a documentação ambiental ainda não estava pronta? Será que o governo sabia que não poderia iniciar, mas mesmo assim anunciou para aparecer nas campanhas?
Desenvolvimento prometido, abandono real
A MT-351 é mais do que uma estrada de terra: é a ligação vital entre a MT-241 e a BR-163, rota que escoa produção, turistas e riquezas de uma das regiões mais promissoras de Mato Grosso. Sem asfalto, o turismo sofre, o produtor paga mais para transportar e a comunidade fica isolada na estação chuvosa.
A conta não fecha
– Licitação concluída: 120 dias atrás
– Liberação ambiental: pendente, sem prazo
– Obra iniciada: nenhuma
– Eleições: a caminho
A população não pede milagres, pede respeito e verdade. Se a obra não tem condições de sair, que digam. Se tem entraves, que resolvam. O que não se aceita mais é usar a esperança de uma comunidade como mercadoria eleitoral.
A MT-351 pode continuar sem asfalto, mas a memória do eleitor não terá buracos: ela vai lembrar de quem prometeu e de quem não cumpriu.
Reportagem: Portal de Notícias Folha de Nobres












